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DO FUNDO DO GUARDA-ROUPA: Brasil, campeão mundial há 50 anos - parte III

Fala galera sem o que fazer que leem o SunsBR, mas não comentam nos meus posts... Tudo bem com vocês?


Então, semana passada eu esqueci completamente de postar aqui no blog por minhas ocupações com um projeto que estava a realizar aqui na cidade. Mas aposto que vocês nem sentiram falta... Sabe por quê? Porque vocês são tudo baba-ovo do Evandro. FALO MESMO!!!

ps.: To pensando em criar uma #hashtag assim: #LeitoresDoSunsBRBabamOOvoDoEvandro



Mas brincadeiras a parte, vamos à terceira parte do especial feito há alguns milhares de anos atrás. Hoje teremos as respostas de Edson Bispo Santos e de Amaury Passos.







SunsBR : Como foi que o senhor reagiu quando ficou sabendo que iria jogar o mundial?


Edson BispoFiquei contente, mas já sabia da convocação, pois no ano anterior, em 1958, lá mesmo no Chile eu estaria incluído nela. Tínhamos sido campeões Sul-Americano e a base seria a mesma.

AmauryDe uma certa forma não foi surpresa minha inclusão na equipe que iria representar nosso país no mundial de 1959 no Chile. Eu já havia integrado as seleções brasileiras no mundial de 1954, no Rio; no pan-americano de 1955, no México e no sul-americano de 1957, no Chile.
De vez que era um dos titulares da seleção, não foi surpresa minha convocação para mais uma competição.

SunsBR : Descreva a equipe que jogou o mundial 1959.

Edson Bispo: 
A equipe tinha cinco jogadores que jogavam no Rio e seis que jogavam em São Paulo.
Pelo Rio: Algodão, Edson, Otto, Fernando, Zezinho.
Por São Paulo: Wladimir, Amauri, Jattir, Waldemar, Pecente e Rosa Branca.
A equipe titular era formada por Wladimir, Amauri, Edson, Algodão e Waldemar.



Amaury
A equipe foi completada com 11 jogadores, a maior parte de São Paulo. A base, isto é, os sete ou oito jogadores que efetivamente jogavam ( Kanela nunca utilizava mais do que esse número de jogadores ) e que já se conheciam das competições anteriores: Wlamir, Rosa Branca, Jatyr, Edson, Algodão, Waldemar, Pecente e eu. Era rara a inclusão de mais jogadores, semente quando faltavam poucos minutos para o encerramento do jogo e a diferença de pontos a favor era grande.

SunsBR : Qual era o pensamento antes, durante e depois dos jogos?



Edson BispoAntes havia aquela ansiedade pelo início dos jogos querendo que começasse logo. Mas a medida que íamos avançando com vitórias, víamos a possibilidade de conseguirmos disputar o título, depois foi só alegria com a conquista do 1º Título Mundial para o Brasil.



Amaury
Sempre, em todas as competições das quais participei, o pensamento comum a todos os jogadores era de ganhar o jogo que estava em disputa e preparação para o próximo compromisso.

SunsBR : Como era o clima no vestiário?


Edson Bispo
Clima de confiança e esperança de jogarmos cada vez melhor, a medida que íamos sucedendo os adversários.



Amaury
O clima dos vestiários que abrigam jogadores de basquetebol não é diferente dos vestiários de outros esportes. Antes dos jogos, concentração e atenção às preleções do técnico; após os jogos, alegria com a recente vitória ou tristeza pelas derrotas.

SunsBR: Qual a emoção que o senhor sente, pois em janeiro agora, estará completando MEIO SÉCULO DE GLÓRIA?


Edson Bispo: Em primeiro lugar agradecer a Deus de estar com saúde e poder participar desta comemoração que entra para a história do basquete brasileiro e ficar eternizado entre os melhores de todos os tempos.


Amaury
Me sinto feliz por estar ainda presente, com saúde, e poder lembrar da primeira conquista mundial do basquetebol brasileiro.

SunsBR: Quais as melhores lembranças que o senhor passou com este time?

Edson Bispo
Inesquecíveis, pois como já disse, tínhamos sido campeões Sul-Americanos no ano anteriores. Existia muita amizade, respeito, amor a camisa, obediência técnica... Enfim, tudo que uma equipe necessitava para representar seu país num evento tão importante.



Amaury
Somente tenho boas lembranças, pois foi um período inesquecível e importante de minha vida. O privilégio de representar meu país em competições internacionais importantes como campeonatos mundiais (4) e jogos olímpicos (3).  Saliento que poderia ter prolongado minha carreira na seleção brasileira, pois tive oportunidade de participar de outros dois jogos olímpicos e de um 5° campeonato mundial, mas desisti devido a problemas profissionais de nossa empresa familiar, que existe até os dias de hoje. Tenho as lembranças das viagens durante os 16 anos em que joguei na seleção do Brasil.

SunsBR: Como é lembrar que já completou 50 anos do título, mas não ter alguns dos companheiros presentes?

Edson Bispo
Alegria por um lado e tristeza por outro, pois os companheiros que se foram fariam parte de todos aqueles predicados já citados pela equipe. Deixaram saudades e só podemos dizer: “descansem em paz e obrigado pelos momentos maravilhosos que passamos juntos”.


Amaury
Não tenho a sensação de que se passaram 50 anos, me parece mais recente. Tristeza em haver perdido amigos e companheiros, recentemente e prematuramente o Rosa Branca, querido amigo.

SunsBR: Como era o técnico Kanela? Muito rigoroso nos treinos?

Edson Bispo
Não só nos treinos, como também nos jogos. Era um técnico que estava à frente da sua época, pois realizava coisas que outros técnicos não sabiam fazer. Era carismático e se tornou o melhor técnico da história do basquete brasileiro através de suas conquistas.


Amaury
Para mim o Kanela é a grande expressão e personalidade do basquetebol do Brasil. Sua dedicação e aperfeiçoamento dos detalhes técnicos e táticos foi fundamental para as conquistas que aconteceram no período de 15 anos, aproximadamente.

SunsBR: Qual a maior maluquice que o senhor cometeu na seleção quando o técnico era o mestre Kanela?

Edson Bispo
Não houve maluquice e sim algumas divergências por problemas técnicos.

AmauryNunca cometi maluquices, apenas algumas "travessuras", que envolviam representantes do sexo oposto. O Kanela era muito severo com a disciplina que impunha e era necessário ter muito cuidado, sem nunca comprometer o rendimento físico e técnico indispensável para jogar bem.


SunsBR: Conte algo, que não foi divulgado, algo que ocorreu naquela época em que só o senhor viu, ou que o senhor guardou nas lembranças por todos esses anos.

Edson Bispo
Não havia segredos entre nós jogadores, como disse, eramos muito unidos e tudo o que acontecia era do conhecimento de todos, a lembrança guardada era a alegria dos bons momentos vividos por todos.


Amaury
Tenho algumas lembranças, porém não reveláveis...

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Então, galera... Essa é a terceira parte do especial. Semana que vem tem a parte final e na outra semana tem uma entrevista internacional. Chutem aqui quem vocês acham que é o entrevistado internacional.

Abraços e até semana que vem!!!

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