A segunda parte (de quatro) do especial sobre o mundial de 59 está no ar... Confira abaixo as entrevistas feitas com Wlamir Marques, o diabo loiro e com Pecente. Os dois ajudaram, e muito, a nossa seleção a caminhar para o título, aquele que seria o primeiro mundial do Brasil.
PHX SUNS: Como foi que o senhor reagiu quando ficou sabendo que iria jogar o mundial?
Pecente: Minha reação foi de muita felicidade em poder participar da seleção brasileira de basquete, pois tinha sido convocado em 1954 e não fiquei entre os doze selecionados, pois o técnico Kanela queria jogadores mais experientes.
Wlamir Marques: Para mim não foi novidade ter sido convocado para o mundial de 59. Eu já sabia disso. Desde 54 eu fazia parte da seleção brasileira (profissional). Já havia participado de dois Sul-Americanos, um Pan-Americano, uma Olimpíada (Melbourne em 1956) e outras competições internacionais. Achei normal eu ter sido convocado.
PHX SUNS: Descreva a equipe que jogou o mundial 1959?
Pecente: Para o mundial de 1959 a equipe foi bastante renovada, ficando somente três jogadores que faziam parte da seleção de 54: Algodão, Amaury e Wlamir, completando a equipe com: Edson, Fernando, Jatir, Otto, Rosa Branca, Valdemar, Valdir, Zezinho e eu.
Wlamir Marques: A equipe era a seguinte: Amaury, Edson Bispo, Jatyr, Waldemar, Pecente, Algodão, Otto Nobrega, Waldir Bocardo, Rosa Branca, Fernando, Zézinho e eu.
PHX SUNS: Qual era o pensamento antes, durante e depois dos jogos?
Pecente: O pensamento era sempre de vitória contra qualquer adversário.
Wlamir Marques: O único pensamento reinante nessas horas era de vitória, não havia outro tipo de pensamento, sempre foi assim. Fomos favoritos juntamente com alguns outros países e sabíamos que podíamos conquistar o titulo.
PHX SUNS: Como era o clima no vestiário?
Pecente: O clima no vestiário, antes dos jogos, era de muita união, todos preparados para jogar e aproveitar as oportunidades para conquistar o 1º lugar no mundial.
Wlamir Marques: O clima entre os jogadores sempre foi de muita amizade e alegria. E no vestiário sempre imperava isso, alem, é claro, da expectativa em entrar na quadra e jogar.
PHX SUNS: Qual a emoção que o senhor sente, pois em janeiro agora, estará completando MEIO SÉCULO DE GLÓRIA?
Pecente: A emoção de estar completando, em Janeiro de 2009, 50 anos do título mundial conquistado pelo basquete brasileiro é muito especial.
Wlamir Marques: Emoção é algo que não se consegue transferir para o papel. Sempre digo que qualquer palavra não será capaz de traduzir emoções. Fomos muito felizes com a conquista e isso permanece até hoje.
PHX SUNS: Quais as melhores lembranças que o senhor passou com este time?
Pecente: Era uma equipe muito jovem, com muita garra, lutava até o fim para conseguir as vitórias, marcando forte na defesa e chegando muito rápido nos contra ataques.
Wlamir Marques: A nossa equipe era muito conhecida e todos nós já vínhamos juntos de outras jornadas. As lembranças acabam morrendo no tempo e fica difícil, após 50 anos, guardar algo pessoal ou de forma individual. Mas era uma equipe muito unida e isso foi o fator de muitos sucessos.
PHX SUNS: Como é lembrar que já completou 50 anos do título, mas não ter alguns dos companheiros presentes?
Pecente: Fisicamente eles não estarão presentes, mas espiritualmente sim, em nossa memória não vão ser esquecidos nunca.
Wlamir Marques: O tempo passou, alguns morreram muito cedo e outros aos poucos estão indo também, mas sempre estamos juntos, como se ninguém tivesse morrido, porque a alma não morre. Estamos sempre juntos.
PHX SUNS: Como era o técnico Kanela? Muito rigoroso nos treinos?
Pecente: O técnico Kanela era muito dedicado aos treinamentos, conhecia bem nossos adversários, era disciplinador ao extremo e muito rigoroso com horários de treinamentos, refeições e descanso.
Wlamir Marques: O Kanela não era um grande técnico. Acredito muito mais que foi um grande psicólogo e um grande sargento da tropa. O Kanela somente foi o Kanela com a geração privilegiada que ele teve nas mãos e vice-versa. Acredito que a nossa geração precisava dele para nos comandar. Foi uma simbiose que deu certo enquanto durou.
PHX SUNS: Qual a maior maluquice que o senhor cometeu na seleção quando o técnico era o mestre Kanela?
Pecente: Não cometi nenhuma maluquice.
Wlamir Marques: Nunca cometi nenhum tipo de maluquice e nenhum de nós era usuário de qualquer sentimento dessa espécie.
PHX SUNS: Conte algo, que não foi divulgado, algo que ocorreu naquela época em que só o senhor viu, ou que o senhor guardou nas lembranças por todos esses anos.
Pecente: Inusitado pode não ser, mas para mim foi muito emocionante e nos encheu de alegria. Ao término do jogo entre Brasil e Chile, último jogo em que fomos campeões (31/01/59), fui avisado por uma rádio que transmitia a partida, que minha primeira filha tinha acabado de nascer no Brasil, fazendo que a minha emoção ficasse maior ainda.
Wlamir Marques: Nunca houve nada a esconder de minha parte ou de qualquer um. Eramos cientes das nossas responsabilidades e sabíamos o que a gente queria. Talvez muitos não tenham visto o quanto nós treinávamos e o quanto nós nos dedicávamos para essas competições. Esse, talvez tenha sido o nosso grande segredo.
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1 Spurs Haters já comentaram este post:
Puxa! Que bom "ouvir" os grandes astros do basquete brasileiro Wlamir e Pecente!!!Sou de Piracicaba e vibrei muito com estes atletas quando jogavam pelo nosso glorioso XV de Piracicaba. Que ótimos tempos aqueles! O XV era grande tanto no masculino quanto no feminino. No masculino chegou a ter em duas fileiras uma verdadeira seleção brasileira com Wlamir, Pecente, Valdemar, Tozzi, entre outros. No feminino também, com Maria Helena, Heleninha, Delcy e várias outras excelentes profissionais. Álvaro Monteiro
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